topo
Home > Artigos > História > Artigo de VEJA: “QUEM MATOU JESUS?”

Artigo de VEJA: “QUEM MATOU JESUS?”

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 399 – agosto 1995

Em síntese: A revista VEJA, edição de 12/4/95, pp. 66-79, publicou um artigo sobre Jesus, que refere opiniões de três autores divergentes entre si no tocante a pormenores da Paixão do Senhor. O artigo é inexpressivo, pois nada conclui, mas serve para confundir a mente de leitores despreparados; estes poderão, sem razão, deixar-se impressionar pela multidão de hipóteses registradas por Roberto Pompeu de Toledo. Este articulista, aliás, revela pouco conhecimento de causa, pois à p. 68 afirma que os Evangelhos só foram escritos quarenta anos após a morte de Jesus. Em resposta a esta afirmação, as páginas que se seguem referem descobertas de estudiosos que levam a datar os Evangelhos (ou, ao menos, partes dos Evangelhos) da primeira metade do século I. É o que proclamam Claude Tresmontant, José O’Callaghan, Carsten Peter Thíede, Orsolina Monte Vecchi...

* * *

A revista VEJA, edição de 12/4/95, pp. 66-79, apresenta longo artigo sobre Jesus, da autoria de Roberto Pompeu de Toledo. Em suma, este autor, que não é especialista no assunto, reproduz o conteúdo de três livros divergentes entre si ao tentarem reconstituir os eventos da Paixão e da Morte de Jesus. Trata-se de: 1) uma obra em dois volumes, de Raymond Brown, tido como relativamente conservador: The death of the Messiah (A morte do Messias), com 1.600 páginas; 2) o livro Who killed Jesus? (Quem matou Jesus?) de John Dominic Crossan, considerado mais liberal e autor de hipóteses próprias ou pessoais, e 3) o livro do judeu Haim Cohn: O Julgamento e a Morte de Jesus, publicado no Brasil em 1994 após ter aparecido nos Estados Unidos em 1967; este último autor tem por objetivo absolver os judeus da responsabilidade da morte de Jesus; o Sinédrio (Conselho Supremo) dos judeus ter-se-ia reunido para deliberar sobre a maneira de evitar a condenação de Jesus por parte dos romanos, mas Jesus não teria aceito as sugestões do Sinédrio, que visavam a desviá-lo do seu fim trágico.

R. Pompeu de Toledo se compraz em registrar as sentenças desses três autores a respeito dos diversos passos da Paixão de Jesus, num tom de certo ceticismo e superficialidade. A sua análise não chega a conclusão alguma, mas pode deixar confuso o leitor despreparado; este talvez seja induzido a pensar que os relatos evangélicos são pouco fidedignos, não porque R. Pompeu de Toledo prove algo contra a fidelidade histórica dos Evangelhos, mas porque ele se detém em enumerar hipóteses e hipóteses que agitam o leitor.

Verdade é que estas se apresentam pouco fundamentadas e muito subjetivas; destroem-se umas às outras e, por isto, se mostram inconsistentes, mas para um observador pouco crítico podem parecer merecedoras de atenção.

Não nos deteremos na consideração do artigo em sua amplidão. Mas interessar-nos-emos por um tópico bem ilustrativo da pouca capacitação de Pompeu de Toledo para escrever sobre o assunto. Com efeito; eis o que se lê à página 68 (2a. coluna):

“Os evangelistas, pessoas que mal se sabe quem são, e onde viveram, não trabalharam com informações de primeira mão. Há um consenso entre os eruditos, hoje, de que seus trabalhos datam de, no mínimo, 40 anos depois da morte de Jesus, sendo o mais antigo o de Marcos (escrito por volta do ano 70 a.D.) e o mais novo o de João (cerca de 110 a.D.)”.

A propósito duas perguntas se levantam: 1) Será que realmente mal sabemos quem foram e onde viveram os evangelistas? 2) A datação que P. de Toledo propõe como geralmente aceita pelos eruditos, é tão tranqüilamente aceita? - Examinemos uma e outra indagação.

1. MAL SE SABE QUEM FORAM OS EVANGELISTAS?

Como dizer que não se sabe quem foram e onde viveram os evangelistas?

- Para identificá-los, existem testemunhos da tradição que datam do século II (como o de Papias, Bispo de Hierápolis, na Ásia Menor, que escreveu por volta de 130). São assaz convergentes entre si para merecer crédito. O próprio Evangelho de São João é hoje atribuído ao Apóstolo João, filho de Zebedeu, e à sua escola. Os escritos do Novo Testamento oferecem notícias valiosas para identificar Mateus, Marcos, Lucas e João; se não há dados suficientes para escrever-lhes a biografia, nem por isto se pode dizer que não se sabe quem foram e onde viveram.

Ademais o próprio texto do primeiro Evangelho revela o estilo de Mateus, o cobrador de impostos. Ver, por exemplo,

Mt 10,2-4 comparado com Mc 3,16-19 e Lc 6,14-16… Somente em Mt se diz que Mateus era cobrador de impostos ou publicano, o que era pouco honroso para um judeu. Ora quem terá cometido essa desfeita em relação a Mateus se não o próprio Mateus?

Em Mt 22,19 a linguagem técnica do Evangelista revela o perito em matéria de dinheiro; distingue nómisma (moeda) e denárion (denário) – coisa que Marcos e Lucas não fazem.

Mt é o único a narrar o episódio do imposto do Templo em Mt 17,24-27, o que demonstra o interesse do autor pelos tributos.

Esses poucos indícios literários são confirmados pelo testemunho da tradição.

Tenha-se em vista Papias:

“Mateus, por sua parte, pôs em ordem os lógia (dizeres) de Jesus na língua hebraica, e cada um depois os traduziu (ou interpretou) como pôde” (ver Eusébio, História Eclesiástica /// 39, 16).

Quanto ao terceiro Evangelho, são ainda mais perceptíveis os vestígios do médico Lucas. Assim

a) certamente a linguagem grega de terceiro Evangelho é a de um homem culto dotado de vocabulário variado (261 palavras próprias dentro do Novo Testamento). Corrige as construções difíceis de São Marcos; cf. Mt 4,25 e Lc 8,18.

b) O autor parece perito em medicina, a ponto de manifestar seu “olho clínico” nas seguintes passagens:

- é o único a referir o suor sangüíneo de Jesus (22,44);

- muito abranda o juízo pessimista que Mc 5,25s profere sobre os médicos; cf. Lc 8,43s;

- os sintomas dos enfermos são descritos com particular atenção em Lc 8,27-29; 9,38s; 13,11-13; 4,38 (ver Mc 1,30);

- o terceiro Evangelho apresenta Jesus como o Médico Divino; cf. Lc 4,23; 5,17 (comparar com Mt 9,1 e Mc 2,1s); 6,18s; 9,1s.11. Somente em Lc Jesus restitui a orelha de Malco amputada no Getsêmani (cf. Lc 22,50s; Mt 26,51; Mc 14,47s; Jo 18,10s).

Ainda a respeito de Lucas pode-se notar o testemunho de um dos prólogos latinos anteposto ao terceiro Evangelho em fins do século II:

“Lucas foi sírio de Antioquia, de profissão médica, discípulo dos Apóstolos; mais tarde seguiu Paulo até a confissão (martírio) deste, servindo irrepreensivelmente ao Senhor. Nunca teve esposa nem filhos; com oitenta e quatro anos morreu na Bitínia, cheio do Espírito Santo. Já tendo sido escritos os Evangelhos de Mateus, na Bitínia, e de Marcos, na Itália, impelido pelo Espírito Santo redigiu este Evangelho nas regiões da Acaia, dando a saber logo no início que os outros (Evangelhos) já haviam sido escritos”.

Além destes dados, é de notar que já foram publicados em PR artigos que noticiam as recentes descobertas de papiros gregos importantes, pois, segundo bons estudiosos, fazem recuar as datas de composição dos Evangelhos para a primeira metade do século I ou para uma época em que ainda havia testemunhas oculares da vida de Cristo. Ver PR 398/1995, pp. 290-294 e 295-303; 321/1989, pp. 50-54.

A estas notícias acrescentamos o conteúdo de dois artigos editados pelo jornal francês LE FÍGARO LITTERAIRE, artigos que reproduzem a posição de respeitáveis pesquisadores no tocante à origem dos Evangelhos.

2. AS MAIS RECENTES DESCOBERTAS DA LINGÜÍSTICA E DA PAPIROLOGIA

Falarão Claude Tresmontant e Laurence Vidal.

2.1. Claude Tresmontant

Claude Tresmontant é professor de Filosofia Medieval na Sorbonne. Vem a ser um dos estudiosos mais sérios que se têm dedicado à lingüística da S. Escritura. Conhece bem o grego e o hebraico e, com isto, tem procurado reconstituir as sentenças hebraicas que o texto grego do Novo Testamento supõe. As conclusões a que tem chegado coincidem com as de alguns papirólogos que estudam manuscritos descobertos em Qumran: os Evangelhos começaram a ser escritos (para não dizer:… foram escritos) na primeira metade do século I.

Entrevistado pelo jornal LE FÍGARO LITTERAIRE, expôs o curso de seus trabalhos na edição de 6/ 4/ 1995, p. 3. É essa entrevista que vai, a seguir, traduzida:

Claude Tresmontant: -” Minha área de trabalho não é Qumran. Eu pesquiso o substrato hebraico do Novo Testamento. Mas, quando Thiede descobriu papiros do Evangelho em grego anteriores ao ano de 50, dei-me por feliz. Pois sempre sustentei que os Evangelhos datam dos anos 36 a 50.

Partindo de disciplinas diferentes – Thiede da papirologia; e eu, da filologia -, chegamos aos mesmos resultados.

LE FÍGARO LITTERAIRE: -… Resultados que vos levam a contradizer a tese oficial segundo a qual foi tardia a redação do Novo Testamento nas comunidades cristãs de origem greco-pagã. Como é que o Sr. chegou às suas conclusões?

Cl. Tr.: - Fui formado na Sorbonne em1945. Lá aprendi, como era comum na época, que o Evangelho de Mateus datava do ano de 90 e o de João de 150 aproximadamente. Aprendi que esses textos foram redigidos diretamente em grego pelas comunidades greco-pagãs recém-convertidas.

Aprendi isso tudo, como um estudante de astronomia do século XIV aprendia que o universo se reduzia ao sistema solar, que a Terra ficava imóvel no centro e que tudo girava em torno dela. Engoli isso tudo, e dei crédito a tudo o que me ensinaram. Mas, já que eu falava grego e hebraico, pouco a pouco percebi que esse grego do Novo Testamento não era grego. Era como o iídiche, era puro iídiche ([1]), isto é, palavras gregas (o grego de Platão e de Sófocles) articuladas segundo uma sintaxe estrangeira ou, precisamente, segundo a sintaxe hebraica. Além disto, trata-se de um linguajar grego carregado de uma multidão de palavras forjadas de várias maneiras para verter vocábulos hebraicos que não têm tradução para o grego. Ora há um precedente desse iídiche ou desse grego do Novo Testamento: é a tradução dos LXX, tradução da Bíblia hebraica para o grego, que data do século III AC e que foi confeccionada exatamente segundo o mesmo método.

Por que se fez essa tradução literal da Bíblia hebraica para o grego?

Simplesmente porque nas comunidades judias da diáspora que falavam o grego, os samaritanos e judeus dispersos já não sabiam lerfluentemente o hebraico. Ora, mediante essa tradução literal, quando na sinagoga se liam a Santa Torá e os profetas, os judeus da diáspora podiam seguir palavra por palavra.

L.F.L.: - O Novo Testamento seria, portanto, como a Setenta, uma tradução literal, para o grego, de um texto hebraico original?

Cl. Tr.: Exatamente. E isto prova duas coisas. Primeiramente prova que não foram as comunidades greco-pagãs que produziram o texto dos Evangelhos… Em segundo lugar, prova que essas traduções (ou o texto grego dos Evangelhos) não eram destinadas aos pagãos, mas aos irmãos de comunidade judias da diáspora; estes compreendiam perfeitamente a língua grega construída segundo a sintaxe hebraica, pois tal era a sua linguagem religiosa habitual.

L.F.L.: - O Sr. luta em outra frente: o Sr. afirma que os Evangelhos foram escritos logo após a morte de Cristo... Que é que o leva a afirmar isto?

Cl. Tr.: - A leitura do texto hebraico original. Já que o texto grego segue, palavra por palavra, o texto hebraico, eu me entreguei à brincadeira de reconstituir o léxico hebraico-grego e assim fazer a versão do Novo Testamento grego para o hebraico. Imediatamente as passagens obscuras se esclareceram e os textos incompreensíveis se tornaram lúcidos. Li mais uma vez os textos e fui tirando conclusões sempre mais precisas.

Notemos ainda o modo de transmitir dos hebreus; eles tinham uma transmissão escrita. Os Profetas redigiam suas notas. Os discípulos dos rabinos tomavam seus apontamentos. Porque não teriam feito o mesmo os discípulos de Jesus?

Minhas conclusões atuais, por conseguinte, afirmam que os Evangelhos foram escritos por hebreus da Judeia para os seus irmãos da diáspora e que resultam de apontamentos tomados dia por dia. Acrescento - e o pastor anglicano John Robinson antes de mim já sustentou esta tese - que o Evangelho de João, tido como o último redigido (em 150), é, ao contrário, o primeiro”.

Até aqui Claude Tresmontant. Ao transcrever as declarações deste mestre, não tencionamos abonar tudo quanto ele assevera, pois na realidade há aí alguns pareceres pessoais. O que nos importa nesta entrevista, é a afirmação de que os Evangelhos põem a redação da Boa-Nova em hebraico ou em aramaico (redação oral ou escrita) e, por conseguinte, os Evangelhos gregos estão em continuidade com a pregação de Jesus e dos Apóstolos. Não há hiato ou espaço de tempo vago entre Jesus e os evangelistas, mas há continuidade que assegura a fidelidade do texto grego dos Evangelhos.

Tresmontant não é voz isolada, de modo que a sua sentença merece consideração da parte dos estudiosos. Mencionamos em números anteriores de PR notícias concernentes a papiros gregos do Evangelho recém-descobertos, que são datados da primeira metade do século I ([2]). Para poupar ao leitor de PR a procura dos referidos artigos, transcrevemos, a seguir, a notícia que a propósito é dada por Laurence Vidal na mesma página de LE FÍGARO LITTERAIRE citada atrás.

2.2. Laurence Vidal

Laurence Vidal oferece um apanhado sintético das pesquisas realizadas em Qumran acerca de manuscritos hebraicos e gregos. Dessa notícia vão, a seguir, apresentados os tópicos que interessam diretamente ao propósito do nosso estudo.

“A ciência oficial das Sagradas Escrituras atribui a redação dos Evangelhos ao período de fim do século I à metade do século II. Ora fragmentos do Evangelho de Marcos encontrados em Qumran são tidos como anteriores a 68, ou seja, datam de 41, como afirmam certos historiadores. Eis uma discussão sobre datas que pode transformar o nosso modo de ler o Novo Testamento.

Na gruta 7 de Qumran foram encontrados fragmentos que, no ano de 1972, o papirólogo espanhol José O’Callaghan identificava como sendo dois versículos do Evangelho grego de Marcos.

Um pedaço do Evangelho em Qumran… anterior ao ano de 68 da nossa era… Eis o que põe em questão um século e meio de teologia liberal, segundo a qual (e de acordo com as teses de Ernesto Renan) a redação dos Evangelhos foi tardia (entre 90 e 150 da nossa era), redação efetuada após longo período de tradição oral. Por conseguinte, houve tempestade nos meios teológicos. E o silêncio se fez sobre o trabalho de O’Callaghan.

Todavia Carsten Peter Thiede começou a interessar-se em 1981 pelo documento controvertido da gruta 7. Só contra todos, ele reabriu o debate em 1984 num artigo da revista Bíblica. Para ele, a identificação não deixa dúvida: o papiro de Qumran é, sim, um fragmento de Marcos (capítulo 6, versículos 52-53), e é anterior a 50. Por muito tempo, ficou a sós defendendo a sua tese. Contudo em meados de 1994 a Professora Orsolina Monte Vecchi, presidente de honra da Associação Internacional dos Papirólogos, tida como a mais famosa papiróloga pela comunidade científica internacional, confirmou a tese de O’Callaghan e Thiede. Dizem até que está para publicar um artigo científico neste sentido. Com ela, a maioria de seus colegas admite a tese de Thiede. Doravante o vento mudou de direção.

Aliás, Thiede levou mais adiante as suas pesquisas. Foi ter ao Magdalen College de Oxford, onde estão conservados três fragmentos de um código identificado com o próprio do Evangelho segundo Mateus (cap. 26), Evangelho que os críticos datavam do ano de 90. Ora em janeiro de 1994 Thiede publicou suas conclusões… Tendo analisado o traçado das letras, a caligrafia e o estilo desses fragmentos, atribuiu-os à primeira metade do século I, ‘entre 40 e 70′, acentuou Thiede…

Esta segunda revelação fez as vezes de uma bomba nos ambientes interessados. Especialmente significativa pelo fato de que as conclusões do papirólogo coincidem com as de estudiosos de outras disciplinas: os filólogos, os lingüistas, os historiadores… Entre estes, sejam citados o pastor anglicano John Robinson desde 1976, o Padre Jean Carmignac desde 1983, e o Prof. Claude Tresmontant…; professam a redação dos Evangelhos anterior à destruição do Templo de Jerusalém, ou seja, antes de 70… Para esses três sábios, a tese oficial que admite a redação tardia é um contra-senso histórico.

Os manuscritos de Qumran bem podem transformar – e fortalecer – os fundamentos mesmos do Cristianismo: quanto mais antigos são os Evangelhos, diretamente fiéis aos acontecimentos que eles noticiam, tanto mais seu conteúdo adquire um peso biográfico, e não hagiográfico, como se pensava até há pouco.

Entre uma datação e outra existe a diferença que intercede entre um registro de fatos históricos e uma canção épica”.

São estas algumas das ponderações de estudiosos contemporâneos que levam a fazer reservas a quem fale ou escreva sobre os Evangelhos sem conhecimento adequado da matéria, visando, antes, ao sensacionalismo.


[1] O iídiche é a língua alemã falada pelos judeus da Idade Média e contemporâneos, supondo a construção de frases semita ou judia. Como se percebe, o entrevistado Cl. Tr. recorre ao iídiche para ilustrar o que seja o grego do Novo Testamento.

[2] Ver PR 288/1986, pp. 194-200; 354/1991, pp. 482-494; 388/1994, pp. 386-395.





Deixe seu comentário!

Nome*:
Email*:
Site:
Mensagem:







Paróquia Santa Rita
Rua Dr. Rafael de Castro, n.º 222 - Santa Rita
Telefone: 73 3263 - 1044
plug21.com