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O Compromisso Pagão-Cristão

Por Ednoel Ribeiro de Amorim
Diocese de Teixeira de Freitas/Caravelas – BA
3º ano de Teologia
Todo o despertar para a vida cristã começa com o encontro com Cristo, que desperta no indivíduo um desejo ardente de aderir a esta Pessoa real e buscar a sua imitação. Sem esse encontro com Cristo, não podemos falar de uma vida autenticamente cristã e muito menos católica com todos os riscos e consequências que provêm desta decisão.
Esse encontro acontece de diversas formas e em diversos lugares, que aqui não mencionamos, pois não é nosso objetivo, no entanto analisando a história da Igreja Católica, percebemos que nem sempre este encontro produziu o fruto necessário. A radicalidade de vida esperada pelo cristão, que a partir de um encontro com o Senhor Ressuscitado na Eucaristia, em sua Palavra,…nem sempre dá as respostas compatíveis com esse encontro como fizeram inúmeros santos e santas, mártires e confessores da fé.
Diante disso nos perguntamos: O que acontece? Será que Cristo, não é suficiente para satisfazer a inquietude humana? Será que este encontro não está sendo adequadamente realizado? E muitas respostas podem surgir, mas com certeza o problema não está em Cristo ou no encontro. A raiz da questão se encontra no modo do anúncio e na abertura do coração de quem está recebendo este anúncio, seja no hoje de nossa história, seja a 2000 anos atrás.
Daí percebemos, porque surgem pessoas que são católicas, são batizadas, professam a fé, mas o seu testemunho é uma vergonha para a comunidade. A sua vida não serve de exemplo nem para os animais irracionais, quanto mais para uma fraternidade na fé. E isso porque elas aderiram a Cristo, não por amor, não porque se encontraram com alguém que mudou as suas vidas e que lhes deu um novo sentido para viver, mas por conveniência, status, ou simplesmente por ignorância.
Essa é a dificuldade de muitas comunidades cristãs. Não há autênticos cristãos, o que temos são verdadeiros cristão-pagãos comprometidos consigo mesmos e não com o Reino de Deus, se é que podemos fazer essa junção de dois conceitos tão dicotômicos, como o são, cristianismo e paganismo, mas o fato é que a realidade em que vivemos ainda que não seja a desejada e buscada pela Igreja é a situação de fato de muitos cristãos.
Poder-se-ia pensar, que esta situação seria um privilegio só da religião cristã recém oficializada no antigo Império Romano, com Teodósio, onde inúmeros pagãos se convertiam, por conveniência e até mesmo por coação moral. Mas a verdade é que se de um lado temos um paganismo, ou ateísmo declarado nos grandes centros urbanos e nos meios acadêmicos atuais, e tantas outras formas, temos da mesma forma uma vivência da religião, nos pequenos centros e zonas rurais, que aos poucos vai se configurando como um ateísmo prático, aonde as pessoas vão a missa, mas não sabem ao certo, porque fazem isso, o mistério de Cristo está longe de suas consciências.
Aonde as pessoas se batizam não por acreditar na graça de Deus, mas na superstição do mundo, onde pessoas vivem com o nome de cristãos, mas a sua vida, o seu modo de proceder e suas escolhas não diferem em nada do pior dos pagãos. Esse não é o cristianismo que queremos, esta não é a fé que Cristo anuncia através da Igreja. O que professamos é o Cristo morto e ressuscitado, que vem ao nosso encontro e purifica as nossas intenções e nosso modo de proceder e faz com que nosso único desejo seja fazer a sua vontade, que não se encontra em outro lugar senão em sua palavra e na voz da Igreja Católica a única fundada por Jesus Cristo.
Chega de massas se convertendo ao cristianismo totalmente à revelia, por medo, por condição servil, ou por outro interesse qualquer, chega de pessoas que se tornam cristãs e continuam sendo um peso para suas comunidades, pessoas que não aprenderam a viver como irmãos, sabendo considerar os erros e os acertos uns dos outros, chega de cristãos que não reconhecem a sua humanidade, de cristãos que não sabem anunciar com entusiasmo e criatividade o básico da verdade, que Cristo quer que seja anunciada para os confins do mundo. Chega de pessoas que se dizem cristãs e católicas, mas os seus corações estão fechados e endurecidos.
O Evangelho compromete com Cristo, chega de cristão-pagãos!Busquemos um comprometimento de verdadeiros discípulos missionários do Reino de Jesus Cristo, que não se contentam com métodos engessados e retrógados, mas que buscam sempre mais uma contínua renovação, em comunhão com a Igreja que nos pede para sermos audaciosos no anúncio daquilo que é o único valioso para nossas vidas, o único que pode nos dar uma esperança que não se esvai com o tempo, pelo contrário, ela dura para a eternidade, pois se transforma em certeza do Ressuscitado, que atua no meio de nós, hoje, agora e sempre! Bem vindos, irmãos que com a busca da santidade lutam todos os dias e sempre.




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