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Grupo Anônimo de Ajuda Mútua: NARCÓTICOS ANÔNIMOS (NA)

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 392 – janeiro 1995

Em síntese: Os Narcóticos Anônimos constituem grupos que se reúnem periodicamente em vista de ajuda mútua na procura da sua recuperação. São dependentes de drogas em gerai, que muitas vezes caem no desespero por perceberem que sua vida se vai destruindo, sem que eles tenham força para se libertar do vício. Esses grupos funcionam informalmente; em suas sessões os adictos (= dependentes) trocam experiências, propósitos e contam vitórias obtidas mediante a observância de Doze Passos de um roteiro bem traçado. Não estão ligados à política nem a algum Credo religioso; todavia reconhecem que somente Deus (como cada um O pode conceber) os pode libertar do vício.

O primeiro grupo de NA reuniu-se em julho de 1953 na Califórnia; cresceu e difundiu-se rapidamente. Em 1962 publicou o livreto branco “Narcóticos Anônimos”. Em 1972 foi criado em Los Angeles na Califórnia um Escritório Mundial de Serviço /World Service Office,/, cujo endereço atual é: PO Box 9999, Van Nuys, CA 91409, USA. Esse Escritório publicou o livro Narcotics Anonymous, que foi traduzido para o português e do qual extraímos, a seguir, os tópicos principais.

O uso de drogas está cada vez mais difundido, havendo ampla rede de traficantes a instigá-lo e beneficiar-se dele. Têm sido propostos tratamentos diversos para coibir ou extinguir a dependência das pessoas drogadas. Verifica-se, porém, que em muitos e muitos casos a terapia não resolve o problema, pois o vício está profundamente arraigado. — Como para os dependentes do álcool, existe também para os dependentes de drogas a ajuda mútua e anônima, que se tem revelado altamente eficaz; os adictos (= dependentes) se reúnem e ouvem uns aos outros, narrando experiências, propósitos e também… vitórias; estas são obtidas mediante a execução de um Programa que consta de Doze Passos e que vai levando a pessoa a se firmar na abstenção. Tais Grupos são ditos de “Narcóticos Anônimos” (NA); têm feito grande bem e, por isto, merecem ser mais e mais divulgados, a fim de que as pessoas necessitadas os possam procurar e eventualmente chegar à almejada recuperação.

O primeiro grupo de NA reuniu-se em julho de 1953 na Califórnia; cresceu e difundiu-se rapidamente. Em 1962 publicou o livreto branco “Narcóticos Anônimos”. Em 1972 foi criado em Los Angeles um Escritório Mundial de Serviço (World Service Office), cujo endereço atual é: PO Box 9999, Van Nuys, CA 91409 USA.

Existem impressos que transmitem ao grande público as intenções e o modo de proceder dos Grupos de NA. Vamos, a seguir, servir-nos do livro intitulado “Narcóticos Anônimos”, traduzido do inglês e publicado em português por World Service Office. Dessa obra extrairemos as páginas ou os segmentos que sintetizam os nove primeiros capítulos do livro.

1. QUEM É UM ADICTO (VICIADO)?

“A maioria de nós não precisa de pensar duas vezes sobre esta pergunta. NÓS SABEMOS! Toda a nossa vida e nossos pensamentos estavam centrados em drogas, de uma forma ou de outra — obtendo, usando e encontrando maneiras e meios de conseguir mais. Vivíamos para usar e usávamos para viver. Um adicto é simplesmente um homem ou uma mulher cuja vida é controlada pelas drogas. Estamos nas garras de uma doença progressiva, que termina sempre da mesma maneira: prisões, instituições psiquiátricas e morte.

Nossa doença nos isolava das pessoas, a não ser quando estávamos obtendo, usando e arranjando maneiras e meios de conseguir mais. Hostis, ressentidos, egocêntricos e egoístas, nós nos isolávamos do mundo exterior. Qualquer coisa que não fosse completamente familiar, tornava-se estranha e perigosa. O nosso mundo se estreitava e o isolamento tornou-se a nossa vida; usávamos para sobreviver. Era a única maneira de viver que conhecíamos…

Manipulamos pessoas e tentamos controlar tudo à nossa volta. Mentimos, roubamos, trapaceamos e nos vendemos. Tínhamos que conseguir as drogas, não importava o preço. O fracasso e o medo começaram a invadir nossa vida…

As funções mentais e emocionais mais elevadas, como a consciência e a capacidade de amar, foram fortemente afetadas pelo nosso uso de drogas. Nossa habilidade de viver ficou reduzida ao nível animal. Nosso espírito estava em pedaços. Tínhamos perdido a capacidade de nos sentirmos humanos…

Adquirimos hábitos estranhos e maneirismos. Esquecemos como se trabalha; esquecemos como se brinca; esquecemos como nos expressar e como demonstrar interesse pelos outros. Esquecemos como sentir…

Este ritmo de decadência varia de adicto para adicto. Seja no espaço de anos, seja no de dias, o caminho vai sempre na descendente. Aqueles de nós que não morrem da doença, vão para a prisão, para instituições psiquiátricas ou para a completa desmoralização, à medida que a doença progride…

Tivemos que chegar ao fundo do poço antes de estarmos dispostos a parar. Sentimo-nos, por fim, motivados a procurar ajuda no último estágio de nosso vício…

Quando nos identificamos como adictos, a ajuda toma-se possível. Podemos ver um pouco de nós mesmos em cada adicto e ver um pouco deles em nós. Esta compreensão permite que nos ajudemos mutuamente. Nosso futuro parecia desesperador até que encontramos adictos limpos, dispostos a partilhar conosco… Se eles tinham conseguido, nós também conseguiríamos” (pp. 3-9).

2. QUAL É O PROGRAMA DE NARCÓTICOS ANÔNIMOS?

NA é uma Irmandade ou sociedade sem fins lucrativos, de homens e mulheres para quem as drogas se tornaram um problema maior. Somos adictos em recuperação, que nos reunimos regularmente para ajudarmos uns aos outros a nos mantermos limpos. Este é um programa de total abstinência de todas as drogas. Há somente um requisito para ser membro, o desejo de parar de usar. Sugerimos que você mantenha a mente aberta e dê a si mesmo uma oportunidade. Nosso programa é um conjunto de princípios escritos de uma maneira tão simples que podemos segui-los na nossa vida diária. 0 mais importante é que eles funcionam.

NA não tem subterfúgios. Não somos filiados a nenhuma outra organização, não temos matrícula nem taxas, não há compromissos escritos, nem promessas a fazer a ninguém. Não estamos ligados a nenhum grupo político, religioso ou policial e, em nenhum momento, estamos sob vigilância. Qualquer pessoa pode juntar-se a nós, independente da idade, raça, identidade sexual, crença, religião ou falta de religião.

Não estamos interessados no que ou quanto você usou, quais eram os seus contatos, no que fez no passado, no quanto você tem ou deixa de ter; só nos interessa o que você quer fazer a respeito do seu problema e como podemos ajudar. O recém-chegado é a pessoa mais importante em qualquer reunião, porque só dando podemos manter o que temos. Aprendemos, com nossa experiência coletiva, que aqueles que continuam vindo regularmente às nossas reuniões se mantêm limpos.

Usamos as ferramentas que funcionaram para outros adictos em recuperação, que aprenderam a viver sem drogas em NA. Os Doze Passos são ferramentas positivas que possibilitam nossa recuperação. Nosso propósito primordial é nos mantermos limpos e levar a mensagem ao adicto que ainda sofre. Estamos unidos pelo nosso problema comum — a adicção. Através das reuniões, falando e ajudando outros adictos, somos capazes de nos mantermos limpos.

Nós nos sentimos totalmente livres para nos expressarmos dentro da Irmandade, porque não há nenhum envolvimento de ordem legal. Nossas reuniões têm uma atmosfera de empatia. De acordo com os princípios de recuperação, tentamos não nos julgar, estereotipar ou moralizar. Não somos recrutados e não custa nada para ser membro. NA não oferece aconselhamento ou serviços de assistência social… Para se fazer uma reunião, basta haver dois adictos que se interessem e se disponham a compartilhar” (PP. 10-13).

3. POR QUE ESTAMOS AQUI?

“Antes de chegarmos à Irmandade de NA, não podíamos controlar nossas próprias vidas. Não podíamos viver e apreciar a vida como as outras pessoas. Tínhamos que ter algo diferente e pensamos que havíamos encontrado isso nas drogas. Colocamos o uso de drogas acima do bem-estar de nossas famílias, esposas, maridos e filhos. Tínhamos que ter drogas a qualquer custo. Prejudicamos muitas pessoas, mas, principalmente, prejudicamos a nós mesmos. Através da nossa inabilidade de aceitar responsabilidades pessoais, estávamos realmente criando nossos próprios problemas. Parecíamos incapazes de encarar a vida como ela é.

A maioria de nós percebeu que, em nosso vício, estávamos lentamente cometendo suicídio; mas o vício é um inimigo tão traiçoeiro da vida, que tínhamos perdido o poder de fazer qualquer coisa. Muitos de nós acabaram na prisão, ou procuraram ajuda através da medicina, religião ou psiquiatria. Nenhum destes métodos foi suficiente para nós. Nossa doença sempre ressurgia ou continuava progredindo até que, em desespero, buscamos ajuda entre nós em Narcóticos Anônimos.

Depois de chegarmos a NA, descobrimos que éramos doentes. Sofríamos de uma doença da qual não se conhece a cura. Mas que pode ser detida em algum ponto, e a recuperação então é possível” (pp. 14-17).

4. COMO FUNCIONA

“Se você quer o que nós temos a oferecer e está disposto a fazer um esforço para obtê-lo, então está preparado para dar certos passos. Estes são os princípios que possibilitaram nossa recuperação.

1.  Admitimos que éramos impotentes perante nosso vício, que nossas vidas tinham se tornado incontroláveis.

2.  Viemos a acreditar que um Poder maior do que nós poderia devolver-nos à sanidade.

3.  Decidimos entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de Deus, da maneira como nós O compreendíamos.

4.  Fizemos um profundo e destemido inventário moral de nós mesmos.

5.  Reconhecemos perante Deus, nós mesmos e outros seres humanos a natureza exata de nossas faltas.

6.  Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos esses defeitos de caráter.

7.  Humildemente pedimos a Ele que removesse nossos defeitos.

8.  Fizemos uma lista de todas as pessoas que tínhamos prejudicado, e dispusemo-nos a fazer reparações a todas elas.

9.  Fizemos reparações diretas a tais pessoas, sempre que possível, exceto quando fazê-lo pudesse prejudicá-las ou a outras.

10.  Continuamos fazendo o inventário pessoal e, quando estávamos errados, nós o admitíamos prontamente.

11.  Procuramos, através de prece e meditação, melhorar o nosso contato consciente com Deus, da maneira como nós O compreendíamos, rogando apenas o conhecimento da Sua vontade em relação a nós, e o poder de realizar essa vontade.

12. Tendo experimentado um despertar espiritual, como resultado destes passos, procuramos levar esta mensagem a outros adictos e praticar estes princípios em todas as nossas atividades.

Isto parece ser uma grande tarefa e não podemos fazer tudo de uma só vez. Não nos tomamos adictos num dia, lembre-se — vá com calma.

Mais do que qualquer outra coisa, uma atitude de indiferença ou intolerância com os princípios espirituais irá derrotar nossa recuperação. Três destes princípios são indispensáveis: honestidade, mente aberta e boa vontade. Com estes princípios estamos bem no caminho da recuperação.

Sentimos que abordamos a doença do vício de maneira completamente realista, já que o valor terapêutico da ajuda de um adicto a outro não tem paralelo. Sentimos que o nosso método é prático, porque um adicto pode melhor compreender e ajudar outro adicto. Acreditamos que, quanto mais rapidamente encaramos nossos problemas na sociedade, no dia-a-dia, mais rapidamente nos tornamos membros aceitáveis, responsáveis e produtivos dessa sociedade.

A única maneira de não voltar ao vício ativo é não tomar aquela primeira droga. Se você é como nós, então sabe que uma é demais e mil não bastam. Colocamos grande ênfase nisto, pois sabemos que, quando usamos qualquer droga, ou substituímos uma por outra, liberamos nosso vício novamente.

Pensar que o álcool é diferente das outras drogas fez muitos viciados recaírem. Antes de chegar a NA, muitos de nós encaravam o álcool separadamente. Não podemos nos enganar. O álcool é uma droga. Sofremos de uma doença chamada adicção (ou vício) e temos que nos abster de todas as drogas para podermos nos recuperar” (pp. 18-56).

5. QUE POSSO FAZER?

“Comece o seu próprio programa dando o Passo Um do capítulo anterior “Como Funciona”. Quando admitimos plenamente no nosso íntimo que somos impotentes perante o nosso vício, damos um grande passo na nossa recuperação. Muitos de nós tiveram algumas restrições neste ponto, então dê uma oportunidade a si mesmo e seja o mais profundo possível desde o início. Siga para o Passo Dois e assim por diante; à medida que você prosseguir, chegará por si próprio a uma compreensão do programa. Se você estiver numa instituição de qualquer tipo e tiver parado de usar por agora, pode tentar, com a mente clara, esta maneira de viver.

Quando sair, continue o seu programa diário e entre em contato com um membro de NA. Faça isto por carta, por telefone ou pessoalmente. Melhor ainda, venha às nossas reuniões. Aqui, certamente encontrará resposta para algumas das coisas que possam estar perturbando você agora.

O mesmo se aplica se você não estiver numa instituição. Pare de usar por hoje. A maioria de nós consegue fazer por oito ou doze horas o que parece impossível por um período maior de tempo. Se a obsessão ou compulsão se tornar grande demais, fique sem usar cinco minutos de cada vez. Os minutos se transformarão em horas, as horas em dias e, assim, você quebrará o hábito e ganhará alguma paz de espírito. 0 verdadeiro milagre acontece quando você percebe que foi, de alguma maneira, libertado da necessidade de drogas. Você parou de usar e começou a viver” (pp. 57-63).

6. AS DOZE TRADIÇÕES DE NARCÓTICOS ANÔNIMOS

“Só conservamos o que temos com vigilância. Assim como a liberdade do indivíduo vem dos Doze Passos, a liberdade coletiva tem origem nas nossas Tradições. Tudo estará bem enquanto os laços que nos unem forem mais fortes do que aqueles que nos afastariam.

1.  O nosso bem-estar comum deve vir em primeiro lugar; a recuperação individual depende da unidade de NA.

2.  Para o nosso propósito comum existe apenas uma única autoridade — um Deus amoroso que se expressa na nossa consciência coletiva. Nossos líderes são apenas servidores de confiança, eles não governam.

3.  O único requisito para ser membro é o desejo de parar de usar.

4.  Cada grupo deve ser autônomo, exceto em assuntos que afetem outros grupos ou NA como um todo.

5.  Cada grupo tem apenas um único propósito primordial — levar a mensagem ao adicto que ainda sofre.

6.  Um grupo de NA nunca deverá endossar, financiar ou emprestar o nome de NA a alguma sociedade relacionada ou empreendimento alheio, para evitar que problemas de dinheiro, propriedade ou prestígio nos desviem do nosso propósito primordial.

7.   Todo grupo de NA deverá ser total mente auto-sustentável, recusando contribuições de fora.

8.   Narcóticos Anônimos deverá manter-se sempre não profissional, mas nossos centros de serviço podem contratar trabalhadores especializados.

9.   NA nunca deverá organizar-se como tal; mas podemos criar quadros de serviço ou comitês diretamente responsáveis perante aqueles a quem servem.

10.  Narcóticos Anônimos não tem opinião sobre questões alheias; portanto o nome de NA nunca deverá aparecer em controvérsias públicas.

11.  Nossa política de relações públicas baseia-se na atração, não em promoção; na imprensa, rádio e filmes precisamos sempre manter o anonimato pessoal.

12.  O anonimato é o alicerce espiritual de todas as nossas Tradições, lembrando-nos sempre de colocar princípios acima de personalidades” (pp. 64-82).

7. RECUPERAÇÃO E RECAÍDA

“Muita gente pensa que a recuperação é apenas uma questão de não usar drogas. Consideram a recaída um sinal de fracasso completo, e os longos períodos de abstinência, um sucesso total. Nós, do programa de recuperação de Narcóticos Anônimos, achamos essa idéia demasiado simplista. Depois de um membro ter tido algum envolvimento com nossa Irmandade, uma recaída pode ser uma experiência impressionante e provocar uma aplicação mais rigorosa do programa. Da mesma forma, observamos alguns membros que se mantêm abstinentes durante longos períodos, mas cuja desonestidade e auto-engano os impedem de desfrutar completamente a recuperação e a aceitação na sociedade. A melhor base para o crescimento, no entanto, ainda é a completa e contínua abstinência, o trabalho conjunto e a identificação com outros adictos nas reuniões de NA.

Embora todos os adictos sejam basicamente do mesmo tipo, o grau da doença e o ritmo da recuperação diferem de indivíduo para indivíduo. Às vezes, uma recaída pode estabelecer a base para uma completa liberdade. Outras vezes, só é possível alcançar essa liberdade através de uma vontade inflexível e obstinada de ficar limpo, aconteça o que acontecer, até passar a crise. Um adicto que, por qualquer meio, consegue superar, pelo menos por um tempo, a necessidade ou o desejo de usar, tem livre escolha sobre seus pensamentos impulsivos e ações compulsivas. Atingiu um ponto que pode ser decisivo para sua recuperação. As vezes, esse é o ponto crítico da sensação de verdadeira independência e liberdade. A possibilidade de sairmos do programa e de voltarmos a controlar nossas próprias vidas é algo que nos atrai, mas parece que sabemos que o que temos hoje é resultado da fé num Poder maior do que nós e do fato de darmos e recebermos ajuda por empatia. Muitas vezes, em nossa recuperação, os velhos fantasmas ainda nos perseguem. A vida pode voltar a ser monótona, aborrecida e sem sentido. Podemos nos cansar mentalmente de repetir nossas novas idéias, e podemos nos cansar fisicamente com nossas novas atividades, mas sabemos que, se não as repetirmos, certamente voltaremos aos nossos velhos hábitos. Se não usarmos o que temos, provavelmente, perderemos. Freqüentemente, essas ocasiões são os períodos de maior crescimento para nós. Nossas mentes e corpos parecem cansados de tudo. Mesmo assim, as forças dinâmicas da verdadeira mudança, bem dentro de nós, podem estar agindo para nos dar as respostas que alteram nossas motivações internas e mudam nossas vidas.

A nossa meta é a recuperação através da vivência dos Doze Passos, não a mera abstinência física. Nosso crescimento exige esforço e, como não há maneira de se incutir uma idéia nova numa mente fechada, tem que haver uma abertura. Como só nós mesmos podemos fazer isso, precisamos reconhecer dois dos nossos inimigos inerentes: a apatia e a procrastinação. Nossa resistência à mudança parece arraigada, e somente uma explosão nuclear provocará alguma mudança, ou iniciará um novo curso de ação. Se sobrevivermos a ela, a recaída poderá representar o detonador do processo de demolição. Uma recaída ou, às vezes, a morte de algum conhecido íntimo podem nos despertar a necessidade de uma vigorosa ação pessoal” (pp. 83-93).

8. NOS REALMENTE NOS RECUPERAMOS

“Embora ‘dois bicudos não se beijem’, como diz o ditado, foi a adicção que nos uniu. Nossas histórias pessoais podem variar no padrão individual, mas no fundo todos temos a mesma coisa em comum. Essa doença ou distúrbio em comum é o vício.

Conhecemos bem as duas características do verdadeiro vício: obsessão e compulsão. A obsessão é aquela idéia fixa que nos leva sempre de volta à nossa droga de preferência ou a algum substituto, na procura do bem-estar e do conforto que um dia experimentamos.

A compulsão existe quando iniciamos o processo com um pico, um comprimido ou um drinque e não conseguimos mais parar apenas com a nossa própria força de vontade. Devido à nossa sensibilidade física às drogas, caímos nas garras de um poder destrutivo maior do que nós.

Todos nós enfrentamos o mesmo dilema quando chegamos no fim da linha e descobrimos que não conseguimos mais funcionar como ser humano, com ou sem drogas. O que nos resta fazer? Parece haver apenas esta alternativa: ou continuar, da melhor maneira possível, até o amargo fim (prisão, instituição ou morte), ou encontrar uma nova maneira de viver. Poucos adictos (viciados) no passado chegaram a ter esta última opção. Os adictos de hoje são mais afortunados. Pela primeira vez na história, um caminho simples vem sendo seguido por muitos adictos e encontra-se ao alcance de todos. Trata-se de um simples programa espiritual, não religioso, conhecido como Narcóticos Anônimos.

Não existia NA há uns quinze anos atrás ([1]), quando o meu vício me levou ao ponto de total impotência, inutilidade e prostração. Encontrei AA e, naquela Irmandade, conheci adictos que também achavam que o programa era a solução para o seu problema. Mas nós sabíamos que muitos ainda estavam no caminho da desilusão, degradação e morte, pois não se identificavam com os alcoólicos de AA. Sua identificação dava-se apenas em relação aos sintomas aparentes e não no nível mais profundo das emoções ou dos sentimentos, onde a empatia é uma terapia para todos os adictos. Em julho de 1953, formamos o que ficou conhecido como Narcóticos Anônimos, com vários outros adictos e alguns membros de AA, que tinham muita fé em nós e no programa. Sentimos que agora o adicto encontraria desde o início toda a identificação necessária para se convencer de que podia ficar limpo, através do exemplo de outros adictos que vinham se recuperando há vários anos.

Com o passar dos anos, ficou provado que isto foi realmente necessário. Essa linguagem sem palavras do reconhecimento, da crença e da fé, chamada empatia, criou uma atmosfera na qual podíamos sentir o tempo, tocar a realidade e reconhecer os valores espirituais, há muito perdidos para a maioria de nós. Nosso programa de recuperação está crescendo e se tornando mais forte. Nunca antes tantos adictos limpos por sua própria escolha e em livre associação puderam encontrar-se, onde quer que fosse, para manterem a sua recuperação em total liberdade criativa.

Acreditávamos na divulgação de uma lista de reuniões, sem nos escondermos como outros grupos. Havia até adictos que diziam que o que tínhamos planejado não era viável. Acreditávamos que nosso método era diferente de todos os outros, tentados pelos que defendiam um longo afastamento da sociedade.

Achávamos que, quanto mais cedo o adicto encarasse seus problemas na vida cotidiana, mais rapidamente ele se tornaria um cidadão realmente produtivo. Mais cedo ou mais tarde, teremos que caminhar com as nossas próprias pernas e encarar a vida como ela é. Por que não fazê-lo então desde o início?

Evidentemente, por causa disso, muitos recaíram e outros se perderam completamente. Mas muitos permaneceram e outros voltaram após a recaída. 0 importante é o fato de haver muitos de nossos membros com longos períodos de total abstinência e em melhores condições de ajudar os recém-chegados. Sua atitude, baseada nos valores espirituais de nossos passos e tradições, é a força dinâmica que traz crescimento e unidade ao pro grama. Agora, sabemos que a velha mentira ‘Uma vez viciado, sempre um viciado’ não será mais tolerada, nem pela sociedade nem pelo adicto. Nós nos recuperamos” (pp. 94-99).

9. SÓ POR HOJE VIVER O PROGRAMA

“Diga para você mesmo:

SÓ POR HOJE meus pensamentos estarão concentrados na minha recuperação, em viver e apreciar a vida sem drogas.

SÓ POR HOJE terei fé em alguém de NA, que acredita em mim e quer ajudar na minha recuperação.

SÓ POR HOJE terei um programa. Tentarei segui-lo o melhor que puder.

SÓ POR HOJE tentarei conseguir uma melhor perspectiva da minha vida através de NA.

SÓ POR HOJE não terei medo, pensarei nos meus novos companheiros, pessoas que não estão usando drogas e que encontraram uma nova maneira de viver. Enquanto eu seguir este caminho, não terei nada a temer” (pp. 100-108).

Até aqui os Narcóticos Anônimos.

APÊNDICE

Há situações na vida que convém não tornar públicas, e com boas razões. Acontece, porém, que muitos problemas só podem ser devidamente resolvidos com a colaboração de outras pessoas; somos interdependentes ou seres sociais; só nos realizamos bem em sociedade; o isolamento pode ser tentador, mas não raro, é doentio. Daí a necessidade que o homem tem, de procurar um grupo que o ajude a solucionar as dificuldades; será um grupo “anônimo”, … anônimo, porque há de proceder em suas reuniões com grande discrição, e profunda compreensão do próximo sofredor. Os grupos que assim existem, têm operado façanhas maravilhosas; neles se encontram pessoas que passam todas pela mesma problemática; ninguém aí é superior a outrem, todos se acham numa atitude de humildade e procura de auxílio. Embora tais grupos não sejam confessionais ou explicitamente religiosos, é fácil que neles desponte um tanto de religiosidade, pois o sofrimento faz o homem procurar a Deus; doutro lado, o clima de humildade e expectativa é muito propício para a graça de Deus; Este se comunica aos corações contritos e atribulados. Eis por que, a seguir, vão indicados alguns endereços de Grupos Anônimos de Ajuda Mútua localizados no Rio de Janeiro; há aí também a apresentação de sedes centrais de Serviços, que podem fornecer informações relativas a outras regiões do Brasil.

GRUPOS ANÔNIMOS DE AJUDA MUTUA (RJ)

Alcoólicos Anônimos — Central de Serviços de Alcoólicos Anônimos — Av. Rio Branco, 57/2? – Tel.: 253-9283. ‘

Grupo Rio de Janeiro de A.A. – Av. N.S. de Copacabana, 435/10? andar. Tel.: (021) 235-3086 – Reuniões diárias de 10 às 22 h.

Grupo Condor de A.A. — Largo do Machado, 29 Sala 1113 (Galeria Condor). Tel.: (021) 285-0244 – Funciona de 10 às 20h. Quartas-feiras, de 10 às 14 h 40 min.

Al-anon e Al-Ateen — Serviço de I nformações ao Familiar do Alcoólico— Rua Santa Luzia, 799/ SI 601 – Cep.: 20030-040 – Tel.: (021) 220-5065.

Narcóticos Anônimos — Escritório de Serviços Gerais de N.A. — Rua São José, 90/SI. 2102 – Cep: 20010-020 – Tel.: (021) 242-5015.

Grupo Ipanema e Grupo Posto 9 de N.A. – Rua Visconde de Pirajá, 339 Reuniões de 2a a 6a, às 19h 30 min.

Grupo Cidade de N.A. – Rua Sete de Setembro, n. 14 – Igreja Nossa Senhora do Carmo (antigaSé). Entrada pela Rua 1? de Março.

Grupo Sereno Reviver — Rua Carolina Santos, 143 — Igreja Sagrado Coração de Jesus (Méier). Segunda a sexta, às 19 h 30 min.

Grupo Leme — Rua General Ribeiro da Costa, 164— Igreja do Rosário. Sábado, às 17 e domingo, às 20 h.

Nar-Anon — Escritório de Serviços de Nar — Anon — Rua 1? de Março, 125/SI 602 – Tel.: (021) 265-6596.

Neuróticos Anônimos — Apoio a pessoas que sofrem de ansiedade, tristeza, solidão, depressão e outros problemas semelhantes.

Escritório RJ de Neuróticos Anônimos — Rua do Acre, 47/SI. 412. — Cep: 20081-000 – Tel.: (021) 233-0220 e (021) 233-8898.

Emocionais Anônimos — Centro de Serviços de E.A. — Tel.: (021) 232-1810.

Comedores Compulsivos Anônimos — Inter-Grupal de C.C.A. — Caixa Postal 34.055 – Cep: 22462-970

Sexólicos Anônimos (Grupo Solução de S.A.) — Rua do Riachuelo (Santuário de Fátima, 167 — Terça-feira às 18h.

Sobreviventes de Incesto Anônimos — C. Postal 11766— R. de Janeiro — RJ – CEP 22022-970.

Dependentes de Amor e Sexo Anônimos — Rua Senador Dantas, 117/ SI. 2039 – Sexta-feira às 18h.

Fumantes Anônimos — Rua Senador Vergueiro, 141 (Flamengo) — Igreja Santíssima Trindade — Terça-feira às 19h 30 min.

Co-Dependentes Anônimos — Rua da Passagem, 104 — (Botafogo) — Sábado, às 17h.

Dom Estêvão Bettencourt


[1] Escrito em 1965. (Nota da Redação).





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