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Quem são? NO LÍBANO, OS MARONITAS

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 385/junho 1994


Em síntese: Os maronitas constituem um povo filiado aos ensinamentos de um santo monge chamado Maron ou Maroun (f 410 aproximadamente). Este viveu na Síria; em torno do seu mosteiro fundaram-se outros mosteiros e constituíram-se paróquias, o que deu origem a uma grande família religiosa. Os maronitas sempre foram fiéis à Santa Sé ou à Sé de Pedro — o que lhes valeu a agressividade da parte de hereges orientais monofisitas e, posteriormente, da parte dos árabes muçulmanos, a ligação com Roma e os cristãos ocidentais torna-a os maronitas suspeitos aos olhos dos governantes orientais. Sob o peso das perseguições, deixaram a Síria e refugiaram-se no Líbano, procurando abrigo nas montanhas de difícil acesso. 0 mosteiro de S. Maron na Síria foi destruído no século X. Do Líbano o povo passou para a ilha de Chipre e outros países, mantendo sempre sua identidade religiosa, sob a orientação de um Patriarca próprio e de seus Bispos.

A história dos maronitas é dolorosa desde os seus inícios até nossos dias, especialmente no Líbano, onde muitos mártires maronitas têm sido sacrificados. É oportuno que os irmãos na fé tenham conhecimento dessa história e ajudem os maronitas com suas orações e sua solidariedade.

* * *

Existem no Brasil certas paróquias e comunidades de origem libanesa ditas “maronitas”. A sua Liturgia é celebrada segundo rito diverso do rito romano e em língua aramaica ou vernácula. Muitos fiéis católicos se vêem um tanto perplexos diante desses cristãos: pertencem à comunhão da Igreja Católica? Podem comungar os católicos em Missa dos maronitas?

É a estas questões que as páginas subseqüentes tencionam responder.

1. MARONITAS: ORIGEM

Na raiz das comunidades maronitas há um eremita chamado Maron ou Maroun, falecido em 410 aproximadamente. Viveu na Síria Setentrional, numa colina que é provavelmente a que hoje se chama Aal’at Kalota. Na mesma região habitaram outros santos eremitas contemporâneos a Maron.

Os discípulos de S. Maron construíram um mosteiro homônimo na Síria dita “Secunda” ou “Salutaris”. Outros mosteiros foram fundados em torno deste, constituindo uma pequena federação, de certa importância, pois seus representantes tomaram parte nos Concilios de Constantinopla em 536 e 553, assinando as respectivas atas.

Em torno dos diversos mosteiros maronitas tiveram origem comunidades paroquiais ou paróquias, todas penetradas pela espiritualidade do principal mosteiro, que era o de S. Maron. Os monges desta casa de Deus (Beit Maroun) pertenciam juridicamente ao Patriarcado de Antioquia (Síria), mas não queriam seguir todas as diretrizes bizantinas emanadas dessa sé, especialmente no modo de celebrar a Liturgia.

Mais: os maronitas ficaram fiéis ao Concílio de Calcedônia (451), que declarou haver em Cristo duas naturezas (a divina e a humana) e uma só Pessoa (divina). Não seguiram os monofisitas, que professavam uma só natureza (divina) e uma só Pessoa (divina) em Cristo. Em conseqüência, os maronitas foram criando para si uma certa autonomia, que se tornou plena na primeira metade do século VIII. Reconheciam, porém, o primado da Sé de Pedro em Roma. Em 745/6 o Patriarca bizantino Teofilacto de Antioquia tentou, pela força, reconduzir os maronitas à obediência à sé de Antioquia; em vão, porém; os maronitas resistiram e continuaram a escolher seu Patriarca e seus Bispos entre os monges do mosteiro de S. Maron.

Aos poucos eles foram-se expandindo para o Líbano, já antes da invasão maometana no século VII. Os muçulmanos os pressionaram a deixar a Síria, de modo que monges e população cercaneira se transferiram para o Líbano e a ilha de Chipre em meados do século X. 0 mosteiro de S. Maron, na Síria, foi destruído no século X sob as repetidas incursões dos árabes. No Líbano os imigrantes se refugiaram numa alta montanha e se tornaram uma autêntica nação estruturada como uma grande comunidade religiosa monástica, tendo à frente o seu Abade-Patriarca, com seus Bispos assistentes.([1]) A partir de 1440 os seus Patriarcas fixaram residência numa gruta de difícil acesso chamada Wadi Qadisha (Vale Santo), no Líbano.

2. SITUAÇÃO ATUAL

Os fiéis maronitas estão hoje espalhados pelo mundo inteiro. Nas décadas de 1970/1980 houve tentativas de os tornar mais coesos entre si, mediante a criação da União Maronita Mundial, que realizou Congressos no México (22-25/02/1979), em Nova Iorque (8-12/10/1980), Montreal (8-12/07/1985) .

No Líbano mesmo o Ministério da Justiça apontava em 24/06/1977 um total de 857.000 maronitas, numa população de 3.054.000 habitantes. Atualmente, dadas as guerras que têm atormentado o país, é de crer que esteja bem diminuída a população maronita. Em 1980 havia nove dioceses maronitas no Líbano, com um total de 721 paróquias e um clero diocesano de 571 presbíteros, dos quais 252 eram casados e 319 celibatários; 326 desses sacerdotes tinham idade inferior a 60 anos, e 245 eram mais idosos.

Em 1982 havia, no mundo inteiro, 21 Bispos maronitas, sendo cinco titulares, ou seja, isentos do governo direto de alguma diocese (dois no Líbano, um nos Estados Unidos, um em Roma e um a serviço da diploma-ci da Santa Sé); no Brasil existe a diocese maronita de Nossa Senhora do Líbano em São Paulo (SP), com paróquias em outras cidades.

3. DOUTRINA

Os maronitas têm sido acusados de haver cedido à heresia monotelita. Esta era um resquício do monofisismo, afirmando que em Cristo existe uma só vontade (a divina); tal doutrina foi condenada pelo Concílio de Constantinopla III (680/1), que professou duas vontades (a divina e a humana) em Cristo, sendo a vontade humana plenamente subordinada à divina. — Os maronitas rejeitam categoricamente a acusação de heresia e afirmam ter sido sempre fiéis tanto à doutrina ortodoxa quanto à Sé de Roma. Nos antigos livros maronitas encontra-se, sim, a afirmação de uma só vontade em Cristo, não por ausência de vontade humana, mas porque o querer humano de Jesus se submetia sempre ao querer divino. Tais escritos poderiam ter sido mais explícitos: professavam união moral das duas vontades em Cristo, e não a extinção da vontade humana. É de notar, aliás, que somente em 1099 os maronitas puderam tomar conhecimento da definição do Concílio de Constantinopla III (680/681); logo que a conheceram, professaram a existência de duas vontades físicas em Cristo. Portanto, não se deve falar de conversão dos maronitas.

Quanto à espiritualidade, os maronitas são herdeiros da tradição síria, fartamente nutrida pelas fontes bíblicas, litúrgicas, patrísticas. É muito marcada pela ascese, assaz rigorosa para os eremitas, abrandada para os fiéis leigos. A alma dessa espiritualidade é a Liturgia, que durante muito tempo foi escola de fé e princípio animador da vida dos indivíduos e das comunidades.

A partir do fim do século XVI, a espiritualidade latina entrou também dentro do patrimônio dos maronitas. Em parte isto se deve a antigos alunos do Colégio Maronita de Roma, fundado em 1584; traduziram para o árabe e adaptaram obras como “A Imitação de Cristo”, o “Catecismo de São Roberto Belarmino”, o “Catecismo Romano”, obras de Sta. Teresa de Ávila, os Exercícios Espirituais de S. Inácio de Loiola. Também se nota.a influência de religiosos latinos (jesuítas, lazaristas, franciscanos, salesianos, irmãos educadores e irmãs diversas), que, vivendo lado a lado com os maronitas, especialmente no século XIX, lhes transmitiram algumas devoções ocidentais medievais e modernas, como a Via Sacra, o culto do S. Coração de Jesus, o escapulário, a veneração a determinados Santos, procissões e cânticos; o Rosário já fora assumido desde 15/08/1580. Em conseqüência, quem entra numa igreja maronita, poderá perceber lá a recitação do terço, a devoção do mês de maio, a adoração do SS. Sacramento, a veneração a S. Teresa do Menino Jesus. . . É a partir de tais fontes que grandes vultos maronitas se nutriram espiritualmente; assim S. Charbel (1828-1898) e seu mestre o Venerável Kassab al-Hardini (+1858), a Venerável Rafqa (+1914), o Pe. Tiago Haddad (+1954), o Pe Genadios Mourany (+1959). S. Charbel foi monge eremita, o primeiro católico oriental canonizado (9/10/1977).

A língua da Liturgia é o aramaico, idioma falado por Jesus.

4. IRRADIAÇÃO

Depois que se estabeleceram no Líbano em meados do século X, ocupando principalmente as regiões de mais difícil acesso, os maronitas foram levados a desempenhar um papel importante na formação do Líbano independente. Por estarem em lugar elevado, quase inexpugnável, gozaram de liberdade e puderam exercer certa liderança sobre outras populações, cristãs ou não, que se estabeleceram no Líbano.

Essa liderança beneficiou, por exemplo, as comunidades cristãs cismáticas que quiseram voltará unidade da Igreja nos séculos XVII/XVIII:(2) assim os melquitas (com Cirilo VI Thanas), os armênios (com Abraham Arzivian), os sírios (com Michael Jaroué), os caldeus (com Gabriel Dam-bo), os coptas (muito apoiados pelos maronitas Estêvão Aouad e José Assemani). Pode-se dizer, sem hesitação, que o Líbano cristão é obra dos maronitas; isso explica muitos fatos da história civil e religiosa do Líbano.

2 É preciso lembrar que algumas comunidades de cristãos orientais se separaram da Igreja nos séculos V/VII por ocasião dos litígios teológicos a respeito da SS. Trindade e de Jesus Cristo: são os nestorianos (contrários ao Concílio de Éfeso, 431), os mono fisitas (contrários ao Concílio de Calcedonia, 451) os monotelitas (contráriosao Concílio de Constantinopla III, 680/1) e os ortodoxos separados em 1054. Acontece, porém, que segmentos dessas comunidades cismáticas quiseram retornarão seio da Igreja em época moderna; sao por isso chamados uniatas. Ora, os maronitas os ajudaram e protegeram, pois nao foram bem vistos pelos irmãos que não deram o mesmo passo.

Deve-se mencionar também a influência cultural religiosa e profana exercida pelos maronitas, especialmente no estudo do Orientalismo; isto se deve, em grande parte, ao Colégio Maronita de Roma, que formou grandes vultos do saber religioso e profano: Gabriel Sionita (as-Sahyuni, 1577-1648), professor em Paris; Abraham Ecchelensis (al-Haquelani, 1605-1664), professor em Roma e em Paris; Pedro Benedictus (Boutros Murabak, 1663-1742), diretor da Tipografia Oriental de Florença, os irmãos Assemani, principalmente José Simon (1687-1768), autor da grande Bibliotheca Orientalis e de dezenas de outras obras, e seu sobrinho Estêvão Evode Astifan Awwad (1711-1782), zelador da Biblioteca Oriental de Florença; Miguel Casiri (al-Ghaziri, 1710-1791), autor do catálogo dos manuscritos árabes do Escurial.

Além disso, é de notar que a primeira tipografia árabe de todo o Oriente Próximo teve origem no mosteiro de Qozhaya, no Vale Santo, perto da residência do Patriarca em 1585 aproximadamente; o primeiro livro impresso em árabe foi o Saltério de Davi.

Os maronitas foram os primeiros a obter no Oriente o uso de sinos, concedido pelo sultão mameluco az-Zaler Saif ad-Din Barqoq (1382-1398); durante muito tempo foram os únicos a gozar deste privilégio.

Os mesmos fundaram também uma rede escolar mediante a qual se tornaram colaboradores prestigiosos da IMahda (Renascimento) árabe do século XIX.

No plano puramente religioso, os maronitas prestaram valorosa cooperação às Congregações de sacerdotes, Irmãos e Irmãs ocidentais que se estabeleceram no Oriente.

5. O MARTÍRIO

Mais que outras comunidades cristãs, os maronitas têm dado o testemunho (martírio) do sangue desde épocas remotas.

Assim já no século VI escreveram aos Papas Hormisdas (517) e Agapito (518) e aos Bispos da Síria Secunda, narrando o massacre de 350 monges por parte dos monofisitas:

“Quando íamos ao mosteiro de S. Simeão para atender à causa da Igreja, os malvados nos prepararam uma emboscada; precipitando-se sobre nós no caminho, mataram, mesmo junto aos altares, aqueles que lá se refugiaram. Incendiaram mosteiros, enviando de noite homens sediciosos e subornados por dinheiro, que levaram o pouco neles existentes” (Mansi, Sacrorum Conciliorum, t. VIII, col. 425-429).

Aos 8/3/1514, escrevia o Patriarca Simon Bar-David ao Papa Leão X:

“Pedimos a Deus que, em vossos dias, sejamos libertados da jurisdição dos infiéis que nos devoram, nos acabrunham e nos sobrecarregam com impostos pesados demais e perseguições, golpes e bofetadas.

Aos 20/04/1578, o Patriarca Miguel Rizzi se dirigia ao Papa Gregório XIII:

“Não esqueçais nosso povo, pequeno rebanho sujeito à servidão.

A 01/07/1860, os sobreviventes da infeliz cidade de Deir-el-Kamar escreveram:

“Os que restam da população de Deir-el-Kamar, juntamente com os que sobreviveram ao massacre da infeliz cidade de Hasbaya, vêm, pelo teor do presente, lançar-se aos pés de VV. SS., declarando que não se reconhecem culpados de algum crime a não ser o de ser cristãos, e que este único crime lhes atraiu todas estas desgraças” (publicado na obra de Jobin, La Syrie en 1860 et 1861, Paris 1880, p. 61).

Em época contemporânea, os sacerdotes da diocese maronita de Beirute redigiram o seguinte apelo em outubro de 1983:

“Os morticínios perpetrados no decorrer do último mês ultrapassaram em horror e em número tudo o que se poderia imaginar. Balanço provisório: várias centenas de civis inocentes foram massacrados, entre os quais crianças, mulheres, anciãos, enfermos que não tinham cometido mal algum disto damos testemunho e acreditavam que não se lhes poderia fazer mal. Os seus cadáveres jazem ainda por terra, pois os algozes proíbem a quem quer que seja o acesso às aldeias, e às vítimas negam o direito de sepultura. Todas essas aldeias, fruto do trabalho de vários séculos, estão agora desertas. Igrejas e conventos foram arrasados e os símbolos religiosos e culturais dos cristãos foram aniquilados. . . Em nome do ministério pastoral que nos foi confiado na diocese de Beirute, nós, sacerdotes dessa diocese, lançamos este apelo a todos os homens de boa vontade, onde quer que se encontrem.”

Mons. Ibrahim Helou, arcebispo maronita de Saída, em maio de 1985, escrevia:

“Lamento dirigir-vos este apelo em nome de um povo cujas casas e lugares de culto em Dar el Sim e cercanias foram incendiados por assaltantes, não longe de um quartel do exército libanês. Colocamos nosso destino em vossas mãos. Salvai-nos.”

Já foi atrás mencionada a destruição do mosteiro de São Maron, “sob as repetidas incursões dos árabes”. Muitos vexames sofridos obrigaram os maronitas a procurar refúgio nas montanhas do Líbano; mas mesmo aí a população foi freqüentemente assaltada, os seus Patriarcas encarcerados e até queimados vivos. A razão de tal perseguição era o vínculo dos maronitas com a Sé de Roma e os cristãos ocidentais, em conseqüência do que os governantes do Oriente desconfiavam dos maronitas. O Martirológio destes fiéis compreende vítimas de todas as categorias sociais, como se depreende dos exemplos seguintes:

- o Patriarca Daniel de Hadshit foi condenado à morte pelo sultão Oalaoun em 1282;

- o Patriarca Gabriel de Hejoula foi queimado vivo em Tripoli em 1367;

- o cheique Abou Karam Hadathi foi pendurado a ganchos de ferro em 1640;

- o cheique Younes Abou Rizk foi enforcado em Tripoli aos 21/05/ 1697;

- o leigo Canaan Daher foi decapitado aos 6/02/1740; atribuem-se-Ihe milagres após a morte;

- em 1860 milhares de maronitas foram executados por causa de sua religião. Assim em Zahle muitas mulheres foram martirizadas na capela dos jesuítas; em Deir el Qamar 2.200 maronitas pereceram, uns crucificados, outros com a pele talhada em forma de cruz aos 21/06; os três irmãos Massabki (Francis, Abdel Moti e Rafael) foram vitimados em Damasco aos 10/07, e beatificados por Pio XI aos 10/10/1926;

- Yousef Hamdar convertera-se a Cristo, mas foi intimado a renegar a sua fé; já que resistia, teve o peito crivado de flechas aos 10/09/1919.

A partir de 13/04/1975, o Líbano passa por uma tormenta, cujas vítimas se têm multiplicado até nossos dias. Assim

- o jovem Gassibé Keyrouz, com 25 anos, foi seqüestrado e morto aos 23/12/1975, deixando um testamento espiritual que percorreu o mundo inteiro;

- os PP. Georges Harb e Youssef Farah (80 anos) foram executados em praça pública aos 18/01/1976;

- em setembro de 1983, 2.000 leigos, de todas as idades, foram massacrados nas aldeias de Chouf, de Alto Matn e de Aley;

- aos 10/09/1983, em Bireh, os algozes colocaram num caminhão todos os fiéis que encontraram, e os levaram para a igreja, onde os degolaram; sobre o altar degolaram e queimaram o sacristão e outro fiel leigo…

Estes fatos, aos quais outros muitos se poderiam acrescentar, ilustram a história e o heroísmo do povo maronita, especialmente no Líbano, onde incessantes lutas político-religiosas continuam a provar a têmpera e a fé do povo católico. Este merece ser conhecido e ajudado pelos irmãos do mundo inteiro.

Estêvão Bettencourt O.S.B.


[1] Algo de semelhante, aliás, se deu na Irlanda, onde S. Patrício fundou um mosteiro em torno do qual se organizaram outros mosteiros e também paróquias; donde resultou que a população católica da Irlanda tenha sido orientada pela espiritualidade monástica nos seus primeiros séculos.





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