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ENTREVISTA – Prof. Dr. Renold Blank e a escatologia: fim ou renovação da vida?

Nesse fim de semana me deparei com um livrinho muito interessante: “Creio na Ressurreição dos Mortos” de Renold Blank. O autor é um estudioso da vida pós morte na concepção católica. Posso afirmar que se tivéssemos um pouquinho de conhecimento dos atuais tratados de escatologia dos principais teólogos católicos, incluindo Joseph Ratzinger, nosso papa Bento XVI, teríamos quase nenhum medo da morte. A perspectiva da ressurreição, comprovada em Jesus, é uma realidade avançada que supera o dualismo grego pagão de um corpo e alma separados e nos insere em uma realidade de plenitude, acima do tempo e do espaço vivido em nossa peregrinação terrestre.
Para Blank, a vida após a morte, desde o primeiro momento, é a vida da pessoa humana inteira, concreta e total.
Na sua morte, Deus ressuscita as pessoas inteiras, com toda a sua história, com o seu envolvimento histórico, social, estrutural e cósmico.
Tudo isso faz parte do grande processo que chamamos de “Ressurreição dos mortos”.
Abaixo, posto uma entrevista de Renold Blank dada à Faculdade Católica de Pouso Alegre durante um curso intensivo de escatologia. Com afirmações atuais, Blank nos apresenta uma nova forma de encararmos a eternidade. Quanto ao livro lido no fim de semana, foi publicado pela Paulus dentro da série “Por que creio”.

ENTREVISTA – RENOLD BLANK

O Prof. Dr. Renold Blank conversou com a equipe do Jornal Horizonte Acadêmico. Ele falou sobre os temas da escatologia e como a Igreja Católica entende hoje o inferno e o fim do mundo. Acompanhe:

HA: O que é escatologia e quais são os temas atuais da escatologia?
Renold Blank: Existem basicamente dois temas. O primeiro é o que podemos dizer hoje em base da ciência e em base da teologia: o que acontece com o homem depois da morte. E outro importante tema: o que Deus quer com o futuro deste mundo? Qual é o projeto que Deus tem para este mundo? De maneira mais concreta: será que este mundo, algum dia, vai acabar num caos cósmico? Ou será que Deus tem outra finalidade para este mundo? São estes os dois temas chaves.

HA: Por que a idéia da reencarnação fascina tanto as pessoas?
Renold Blank: É meio complexo, tem várias razões. Mas penso que há basicamente duas. A primeira é que, aparentemente, a idéia da reencarnação parece fácil. A gente pensa que morre e depois pode voltar outra vez, e vive mais uma vivência e assim por diante. Isso, para muitas pessoas, parece meio lógico. E, sobretudo, quando se acrescenta ainda a idéia de que no decorrer dessas várias vivências pode-se evoluir em sua personalidade. A segunda razão é porque muitas pessoas, sobretudo os cristãos, têm medo daquilo que vem depois da morte. Nós estamos diante de um problema, de toda uma história de pastoral de ameaças. As pessoas estão fugindo dessas perspectivas ameaçadoras, de inferno, de condenação. E aí se oferece a teoria da reencarnação, como uma possibilidade que, aparentemente, parece melhor, mas na realidade não é.

HA: Numa sociedade e num tempo em que alguns cientistas sociais dizem que as pessoas perderam o encanto pela vida, como falar de ressurreição para essas pessoas?
Renold Blank: Exatamente, a partir do encanto da vida, porque nós, em nossa religião, temos aquela graciosa mensagem que essa nossa vida é uma vida que tem ainda uma perspectiva infinita para o futuro. Essa perspectiva infinita é uma perspectiva que vai muito além de tudo aquilo que a vida humana é em termos humanos, porque ela tem seu último destino em Deus. Então, aqui se abrem, realmente, novas dimensões de esperança para reconquistar, para redescobrir dimensões de vida para pregar a esperança afim de trabalhar para que as dimensões de vida aqui na terra possam ser ampliadas.

HA: O inferno realmente existe? O que seria o inferno?
Renold Blank: Seria melhor falar do céu do que do inferno. Nós temos que dizer claramente: inferno não é um resultado de uma ação de Deus. A concepção atual de inferno, na Igreja Católica, é esta: Deus oferece à pessoa humana, na hora da morte, uma última possibilidade de conversão, de poder adaptar-se aos parâmetros de Deus. É possível, teoricamente, que uma pessoa, na sua liberdade, rejeite esta oferta. Há quem diz: eu não quero essa vida de plenitude que você, Deus, me oferece. Então, essa pessoa se fecharia dentro de si mesma, rejeitando tudo o que Deus oferece, dizendo: eu não quero a vida. E com isso, a pessoa criaria para si uma situação de isolamento total que, na linguagem tradicional, nós chamamos de inferno. Então, neste sentido, inferno como possibilidade da liberdade humana realmente existe. Agora, a outra questão é se alguém realmente vai agir assim. É aí que podemos dizer: não sabemos. A teologia católica, nos últimos 20 anos, desenvolveu toda uma lista de argumentos para fundamentar, para sustentar esperança. Esperança não é certeza. Esta esperança está baseada naquilo que nós chamamos de vontade salvífica de Deus. Deus quer que todos os homens sejam salvos. Isso Paulo diz na Carta a Timóteo. Se Deus quer isso, então, nós podemos ter a esperança de que Ele vai conseguir.

HA: Pode-se ainda acreditar no fim do mundo?
Renold Blank: A idéia de fim do mundo, sobretudo hoje dentro dessa nova onda de pentecostalismo, está sendo apresentada de maneira muito negativa, como destruição do mundo, como holocausto cósmico e assim por diante. Nós temos hoje 26 milhões de pessoas no Brasil que esperam a destruição do mundo nos próximos 20 anos. Frente a esta questão nós temos que perguntar: como é que Jesus se situa diante dessa questão? Aí temos que dizer claramente: Jesus nunca, jamais falou de fim do mundo. Jesus fala de Reino de Deus, e ele vê este Reino de Deus dentro da perspectiva da teologia profética, como um grande processo evolutivo que já começou e que vai rumo a uma última plenificação desse mundo, dessa história. Esta última plenificação é o Reino de Deus em plenitude. De uma destruição do mundo, Jesus não fala. Então, não há razão nenhuma para ter fim do mundo em termos de holocausto cósmico. É muito mais bíblico compreender a finalidade do mundo em termos de uma última plenificação. Aliás, é esta concepção que também o Concílio Vaticano II retomou de maneira plena, total.





1 Comentário até agora

arlindo discconzi - 03/02/2015 (#):

Gostaria de saber do Renold aqueles que não aceitam a segund e ultima chance, como ficam?
Morte total?
pelo mundo perambulando?
Ele não explica isso nos seus livros.
Quero dizer que sou fâ do Renold e sou caólico praticante (pecisa dizer isso quando se diz que é catolico)Tenho grupode estudos biblicos, 2 programas de radio e escrevo em 2 jornais

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