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No Além: SAUDADES DO AQUÉM?

A Redação de PR recebeu interessante carta, que vai abaixo transcrita e comentada:

“Por que o ser humano tem duas etapas de vida? Esta vida terrestre, cheia de valores e marcas, e a outra etapa sobrenatural e eterna? Como será que o homem terrestre vai-se adaptara esta vida sobrenatural? Como ele chegará e quem o ensinará a viver a vida sobrenatural? Tudo será superior e melhor. E como ficam as legítimas e santas ligações que ele deixa aqui: filhos, planos, ideais? Como será este ajuste lá sem se sentir atraído porca? Sua tarefa, sua casa, os animais domésticos, suas coisas, seus escritos. Como fica tudo isto e como será este homem lá?!…

Não é estarmos numa platéia e Deus no palco: é belo, e mais belo e mais belo e mais belo!? Não vamos nos cansar? Não vamos ter saudades de tomar um cafezinho na cozinha de um amigo lá no seu sítio? Não vamos ter saudade do nosso cachorrinho de estimação, como ele nos olha, como ele nos entende?”

QUE DIZER?

Responderemos em seis etapas.

1) É imprópria a locução: “… duas vidas… esta terrestre cheia de valores, e a outra etapa sobrenatural e eterna”. Na verdade, além da vida natural, o cristão possui já na Terra a vida sobrenatural (e eterna). Com efeito; o Batismo infunde no neófito uma semente de vida nova, que se chama “sobrenatural”. Tal predicado não significa “portentoso ou miraculoso”, mas indica um dom que tende a desabrochar-se e levar o cristão à visão de Deus face-a-face. Por conseguinte a vida sobrenatural não começa com a morte do indivíduo, mas tem início no Batismo. Os justos desfrutam já na Terra o antegozo da vida celeste.

2) A vida no céu consiste na visão de Deus face-a-face, que será a plena satisfação de todos os nossos legítimos anseios. Nada ficará por desejar. Os valores da vida presente perderão seu poder atrativo. É S. Agostinho quem diz: “Serás insaciavelmente saciado”. São Paulo exprime a mesma verdade dizendo: “o que o olho não viu, o que o ouvido não ouviu, o que o coração jamais percebeu, eis o que Deus preparou para aqueles que O amam” (1Cor 2, 9).

3) Quem tem consciência de tais verdades, chega a desejar a outra vida com grande anseio, como fazia São Paulo: “Enquanto estamos neste corpo, estamos fora da nossa mansão, longe do Senhor, pois caminhamos pela fé e não pela visão. Sim, estamos cheios de confiança e preferimos deixar a mansão deste corpo para ir morar junto do Senhor” (2Cor5, 6s). Santa Teresa de Ávila, por sua vez, exclamava: “Morro porque não morro”.

4) Não há dúvida, esta vida tem valores, mas dir-se-ia que são valores dados a peregrinos que caminham em demanda de algo melhor e maior. Com efeito, temos o amor ameaçado pela traição, a verdade sujeita ao erro, a bondade deteriorada pelo egoísmo… Conscientes de que o ser humano foi feito para muito mais, os justos anseiam por chegar ao termo da caminhada, certos de que são peregrinos do Absoluto.

5) O segredo para antegozar a suavidade do Além nesta Terra é a entrega à oração e à prática sacramental, tendo a Eucaristia como centro da vida do peregrino do Absoluto.

6) Os justos no céu têm conhecimento do que diz respeito aos seus familiares e amigos. Deus, que é o autor da solidariedade entre nós, não permite que a morte interrompa essa solidariedade. Por conseguinte intercedem por nós, mas não se pode dizer que tenham saudades da vida na Terra.





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