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Pensando bem: TEOLOGIA DA PROSPERIDADE

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 516/junho 2005

Teologia

Em síntese: Os arautos da Teologia da Prosperidade apelam para o Antigo Testamento a fim de fundamentar sua doutrina; ao sábio rei Salomão o Senhor Deus concedeu fartura e riquezas materiais. No Novo Testamento Jesus anuncia que veio para que seus discípulos tenham vida em abundância: cf. Jo 10, 10. – Tal fundamentação é falha, não levando em conta a necessária configuração a Cristo crucificado e ressuscitado.

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Aos que não aceitam a Teologia da Prosperidade a Igreja Universal do Reino de Deus responde através do seu site nos seguintes termos:

A PROSPERIDADE

Embora muitas pessoas acreditem que precisam de passar por muitas mazelas para ter a misericórdia de Deus e alcançar o Reino dos Céus, a Bíblia nos mostra o contrário. Vemos que todas as pessoas que perseveraram na fé e andaram segundo a Lei de Deus, tinham prosperidade. Um bom exemplo é o Rei Salomão: Deus lhe deu a oportunidade de pedir qualquer coisa. Enquanto muitos pediriam riquezas, Salomão apenas pediu sabedoria. Conforme a Palavra de Deus nos mostra, ele não foi apenas o mais sábio homem de todos os tempos, mas também o mais rico. Mesmo que algumas religiões preguem que a pobreza é uma forma de estar próximo de Deus, saiba que, de acordo com as palavras do Senhor Jesus, todos os cristãos têm o direito à vida abundante, “…eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância” (João 10, 10).

Segundo a Teologia da Prosperidade, Deus concede riqueza e bens materiais a quem Lhe é fiel e paga o dízimo com generosidade. Esta concepção está mal fundamentada, como se verá a seguir.

1. A retribuição póstuma no Antigo Testamento

A Teologia da Prosperidade procura apoio nos escritos do Antigo Testamento…

Na verdade, os mais antigos livros sagrados do judaísmo propunham para esta vida mesma a retribuição devida aos bons e aos ímpios. Aos bons tocaria vida longa, saúde, riqueza, ao passo que os ímpios teriam vida breve, doenças e miséria,… cf. Dt 28. Tal concepção era devida às noções antropológicas dos primitivos judeus: afirmavam que após a morte do indivíduo o espectro ou os refaim (núcleo da personalidade) iam para um lugar subterrâneo (cheol), onde ficariam adormecidos, incapazes de receber qualquer sanção, donde resultaria a necessidade de admitir a retribuição na vida presente. Assim ficaria excluído o culto dos antepassados.

É sobre este pano de fundo que se deve entender a figura de Salomão, o qual se deixou levar pela volúpia.

Com o tempo, porém, os judeus foram percebendo a inconsistência dessa visão escatológica. O livro de considera o problema, propondo o drama de um homem temente a Deus, mas privado de seus bens materiais e ferido por grave moléstia; às queixas de Deus responde impondo silêncio; o homem não é capaz de compreender os desígnios de Deus. O livro do Eclesiastes aborda também o problema e afirma que os valores materiais são como o vento que não fica na mão de quem o quer apreender.

Conscientes da insuficiência dos bens materiais, alguns autores sagrados lhes antepunham os valores espirituais:

SI 4, 5: “Puseste em meu coração mais alegria do que quando seu trigo e seu vinho transbordam”;

SI 73,25s: “Quem teria eu no céu? Contigo (ó Deus) nada mais me agrada na terra. Minha carne e meu coração podem-se consumir; a rocha do meu coração, a minha porção é Deus para sempre”.

Finalmente no século II a.C. aparece a noção de ressurreição dos corpos, que põe fim à noção do cheol e permite antever a retribuição no além, estando consciente a alma do falecido:

Dn 12, 2s: “Muitos do que dormem no solo poeirento acordarão, uns para a vida eterna e outros para o opróbrio, para o horror eterno. Os que são esclarecidos resplandecerão como o resplendor do firmamento; e os que ensinam a muitos a justiça hão de ser como as estrelas por toda a eternidade”.

Assim se abria a possibilidade de uma justa sanção no além, que os escritos do Novo Testamento professam claramente:

Mt 25, 36: “Dirá o rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, recebei por herança o Reino preparado para vós desde a fundação do mundo”.

1Cor 2, 9: “O que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram, e o coração do homem jamais percebeu, eis o que Deus preparou para aqueles que O amam”.

2. O “seguir a Cristo” no Novo Testamento

Jesus não propôs riqueza nem prosperidade aos seus seguidores. Prometeu, sim, vida, e vida em abundância. Esta não é a vida mortal, sempre ameaçada, que o homem conhece na terra, mas a vida imortal em comunhão com o Pai, o Filho e o Espírito Santo. O que Jesus previu para seus discípulos foi uma parcela de sua Cruz mediante a qual devem chegar à bem-aventurança celeste:

“Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mt 16, 23).

Diz o Senhor no Apocalipse: “Repreendo e educo todos aqueles que amo” (3, 13).

O autor da epístola aos Hebreus explica o porquê dessa atitude divina:

“É para a vossa educação que sofreis: Deus vos trata como filhos. Qual é, com efeito, o filho cujo pai não educa? Se sois privados da educação da qual todos participam, então sois bastardos e não filhos” (Hb 12, 7s).

Vê-se, pois, como é falso apregoar que Deus paga em dinheiro e bens materiais a quem Lhe é fiel.

3. Ambigüidade das riquezas

Duas passagens do Novo Testamento chamam a atenção para a ambigüidade da riqueza. É para desejar que não haja miséria, mas também não se pode crer que o dinheiro seja um valor irrestrito; ele pode mesmo tornar-se uma cilada, como se depreende da advertência do Apóstolo:

1 Tm 6, 5-10: “… supondo que a piedade é fonte de lucro. A piedade é de fato grande fonte de lucro, mas para quem sabe se contentar. Pois nós nada trouxemos para o mundo, nem coisa alguma dele podemos levar. Se, pois, temos alimento e vestuário, contentemo-nos com isso. Ora, os que querem se enriquecer caem em tentação e cilada, e em muitos desejos insensatos e perniciosos, que mergulham os homens na ruína e na perdição. Porque a raiz de todos os males é o amor ao dinheiro, por cujo desenfreado desejo alguns se afastaram da fé, e a si mesmos se afligem com múltiplos tormentos”.

Veja-se também o caso do jovem rico, que perdeu a coragem de seguir Jesus por causa do dinheiro:

Mt 19, 21-26: “Jesus lhe respondeu: ‘Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens e dá aos pobres, e terás um tesouro nos céus. Depois, vem e segue-me’. O moço, ouvindo essa palavra, saiu pesaroso, pois era possuidor de muitos bens. Então Jesus disse aos seus discípulos: ‘Em verdade vos digo que um rico dificilmente entrará no Reino dos Céus. E vos digo ainda: é mais fácil um camelo entrar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus’. Ao ouvirem isso, os discípulos ficaram muito espantados e disseram: ‘Quem poderá então salvar-se?’. Jesus, fitando-os, disse: ‘Ao homem isso é impossível, mas a Deus tudo é possível’”.

Estas ponderações servem para dissipar a idéia de que se podem comprar os favores divinos mediante uma piedade interesseira, fazendo-se da religião um Pronto Socorro Financeiro.

Mais ponderações encontram-se no opúsculo “Teologia da Prosperidade”, publicado pela Escola “Mater Ecclesiae” (TeleFAX 21 2242-4552).





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