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“Tinha que ser…” DEUS, A HORA DA MORTE E O SOFRIMENTO

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 506 – agosto 2006

A Redação de PR recebeu a seguinte indagação: As perguntas que faço são as seguintes:

1. Deus determina o dia e a hora em que vamos morrer? Digo isso, porque, dois dias antes de meu avô morrer, eu fui tocada a levar uma água benta para benzê-lo. Não o fiz. No dia seguinte, 25/12, fui tocada de novo e, na visita à UTI, passei a água benta na sua testa e no coração, pedindo a Deus que tivesse misericórdia dele. Ao sair, a médica disse que ele estava se recuperando e que em breve poderia ir para o quarto. No entanto, ele faleceu no dia seguinte. Fiquei intrigada com isto e me perguntei se Deus quis que eu realmente tivesse feito aquilo. Quanto ao rapaz que foi assassinado, nós perguntamos: por quê? Não só ele, mas tantos que hoje morrem pela situação de violência na qual nos encontramos.

2. Quando a pessoa morre, muitos dizem: foi a vontade de Deus. Será que Deus quer a morte por assassinato, por acidente,…?

3. Quando há sofrimento na nossa vida, até que ponto podemos dizer que Deus permite isso para nos amadurecer? Se Deus é amor, permitiria que um filho seu sofresse? Crianças pequenas que não têm noção do que está acontecendo. Deus permitiria isso?”

Nossa resposta compreenderá duas partes: 1) Deus e a hora da morte; 2) Deus e o sofrimento.

1) Deus e a hora da morte. Deus permite que as criaturas procedam de acordo com as suas capacidades naturais, de modo que a hora da morte de cada um se deve a fatores naturais: desgaste das forças físicas por moléstia ou por velhice ou também violência e maldade dos homens. No caso atrás citado Deus não lavrou um decreto antecipando a hora da morte que a médica julgava poder postergar, mas houve simplesmente o desencadeamento de um processo natural. A medicina pode, às vezes, enganar-se.

Com outras palavras: Deus sabe tudo de antemão; Ele prevê todas as coisas, mas não retira das criaturas a sua capacidade própria de agir ou não agir… de agir deste ou daquele modo. Não se diga portanto: “Tinha que ser… tinha que morrer naquela hora”, como se houvesse uma força misteriosa, um destino ou um desígnio de Deus entravando ou impelindo a ação das criaturas.

No caso de morte violenta por assassinato, ocorre algo que Deus não quer, mas permite, porque respeita a liberdade da criatura. Ele nunca o permitiria se, como diz S. Agostinho, não tivesse recursos para tirar do mal bens maiores. Nós nem sempre vemos esses bens, mas temos a certeza de que a Providência Divina não pode falhar.

2) Deus e o sofrimento. Observamos que o sofrimento decorre da índole mesma das criaturas. Com efeito, subindo na escala dos seres, verificamos que a pedra não sofre, o cão sofre e mais sofre ainda a criatura humana; mesmo dentro desta categoria mais sofrem os mais humanos e nobres, menos sofrem os tarados. As pessoas retas sofrem moralmente ao considerar a desordem do mundo; sofrem por efeito das limitações das criaturas.

Vê-se assim que o sofrimento não é um castigo de Deus, mas é algo inerente à condição humana. Eis por que as crianças o compartilham. Deus não quer um mundo de marionetes ou artificial, em que haveria tantas exceções quantas nós imaginássemos.

O fato de que Deus é amor não implica que Ele deva dispensar do sofrimento os filhos bem-amados. A epístola aos Hebreus trata do assunto lembrando que o sofrimento educa e faz amadurecer; só o filho bastardo, pelo qual o pai não se interessa, é deixado solto sem ser corrigido pelo pai, cf. Hb 12, 5-13. Mais ainda: o sofrimento que nos faz amadurecer, o próprio Deus o quis transfigurar, assumindo-o sobre si na Cruz e fazendo-o passagem para a vida eterna.

Para aprofundamento ver PR 502/2004, pp. 160-163.

Dom Estêvão Bettencourt





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