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Superstições da Quaresma: Qual é a reação do católico frente a essas realidades?

Na época da quaresma algumas práticas supersticiosas que acompanham muitas pessoas e podem atrapalhar uma boa vivencia desse período de especial graça para a conversão.
Já estamos na terceira semana da quaresma, no Domingo passado escutamos a passagem da Samaritana que pede a água viva para que ela não volte a ter sede e no próximo Domingo escutaremos como Jesus cura um cego de nascença, devolvendo-lhe a Luz da vida.

Essas leituras convidam a que nos aproximemos de Jesus e que descubramos somente nele o sentido das verdadeiras práticas quaresmais.
Posso cortar o cabelo? A unha? Tenho que guardar meu violão numa sacola e não usá-lo? Tenho que cobrir a imagem dos santos? Essas e muitas outras perguntas e crenças estão espalhadas pela internet. Qual é a reação do católico frente a essas realidades?

Acredito que a primeira atitude é saber que a nossa religião não é supersticiosa. De acordo com o dicionário Aurélio, superstição é o “Desvio do sentimento religioso, fundado no temor ou na ignorância, e que coloca caráter sagrado a certas práticas destituídas de qualquer transcendência. “Em outras palavras, é colocar o sobrenatural onde ele não está.
Não existe nenhuma razão para acreditar que vai “dar unheiro” se eu cortar a unha. Isso é superstição.
A nossa religião é cristã, ou seja, tem Cristo como fundamento. Por seus feitos e palavras acreditamos que Ele é o Filho de Deus, o Messias que veio para salvar o mundo.

No credo que rezamos todos os Domingos, depois da homilia do padre, podemos encontrar um condensado da nossa fé. Lá não diz que se penteamos o cabelo durante a quaresma Maria vai ficar nervosa porque ela não penteou o cabelo no dia em que Jesus morreu.

Existe uma realidade na cultura brasileira que os católicos precisam estar atentos. Se chama sincretismo religioso, que é a mistura de diferentes práticas religiosas, de diferentes religiões. Se mistura o católico com o candomblé, com o espiritismo, com o protestante e tantas outras manifestações religiosas.
A pluralidade não é ruim, os diferentes pontos de vista ajudam e enriquecem as pessoas, mas isso não significa que devemos colocar tudo em um mesmo saco como se tudo fosse compatível e bom. Uma correta aproximação a esse tema nos leva ao diálogo e a evangelização da Cultura.

Sabemos que a quaresma é um tempo de conversão. Conversão é uma mudança integral, de mente, coração e ação, do nosso ser, para aproximar-nos um pouco mais de Deus. Dessa maneira, antes de perguntar-se se podemos fazer isso ou aquilo na quaresma, poderíamos perguntar-nos porque eu deixaria de fazer tal ou qual coisa.

Quais são as motivações que me levam a guardar o violão? É porque eu acredito que alguma coisa ruim pode me acontecer? Isso seria superstição. Mas pode ser também porque eu acredito que isso me ajudaria a fazer mais silencio interior para escutar a Deus. Isso não é superstição. Isso poderia ser um modo de jejum, um dos meios propostos pela Igreja, válido para esse tempo.

Nunca é demais lembrar que para esse tempo a Igreja nos propõe, além do jejum, a caridade e a oração como meios especiais de conversão. Um meio prático para saber se o que estou fazendo é superstição ou uma pratica quaresmal é ver ela se encaixa em algum desses três meios.

Lembrando que a finalidade dos três meios é sempre a nossa aproximação de Deus. Se faço algo que não me aproxima dele ou que, pior ainda, me afasta, essa não é uma prática quaresmal e pode ser uma superstição.
Jesus é a fonte de agua viva, é a luz do mundo, como estamos vendo nesses dias na Missa, somente ele pode realizar os desejos mais profundos do nosso coração.

E é isso que Ele quer fazer na quaresma, por isso é importante separar as superstições da nossa fé, já que elas dificultam a vivência do que realmente nos propõe a Igreja para esse tempo para que tenhamos uma vida mais parecida com a de Jesus.
Se olhamos para Maria, nossa mãe, podemos encontrar um modelo de fé sem superstições, ela pode nos ensinar a olhar sempre para Jesus como ele realmente é. Se nos aproximamos dela, ela nos ajudará a viver bem o que ainda falta desse tempo de graça para a nossa conversão.





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