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Experiências de Igreja

A conferência nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) está comemorando os seus 50 anos de fundação. No último número da revista SEDOC publicamos algumas manifestações por ocasião da comemoração do jubileu. Destacávamos no comentário o papel protagonista que teve a Conferência nestes anos todos. Neste número da revista publicamos um longo documento da CNBB – o seu Estatuto Canônico. Este foi reformulado e aprovado pela assembléia geral da Conferência no ano de 2001, aprovado pela Santa Sé e teve agora a sua publicação. Como todo documento similar, grande parte dele é composta de dispositivos organizacionais como em qualquer instituição, não necessitando aqui qualquer comentário. É de se ressaltar, porém, a “Natureza e Missão” da CNBB, definida nos 8 artigos do capítulo primeiro do Estatuto Canônico. Na definição da missão aparece claramente o princípio da colegialidade. Para precisar a colegialidade são usadas expressões como “fomentar a sólida comunhão entre os Bispos”, “ser um espaço de encontro e diálogo”, facilitar o “relacionamento de seus membros, o conhecimento e a confiança recíprocos”, “estudar assuntos de interesse comum, estimulando ação concorde e a solidariedade entre os Pastores e entre suas Igrejas”, “facilitar a convergência de ação evangelizadora”, “favorecer a comunhão e participação na vida e atividade da Igreja das diversas parcelas do povo de Deus: ministros ordenados, membros de institutos de vida consagrada e leigos, discernindo e valorizando seus carismas e mistérios”. À primeira vista são afirmações óbvias e uma espécie de cartas de boas intenções. Há por detrás porém claras afirmações que exprimem um desejo de um determinado modelo eclesial: o desejo de uma Igreja comunhão, participação, diálogo, entreajuda, aprendizado. E é importante salientar que não se está dizendo isto aos “simples fiéis”, mas aos pastores, àqueles que estão à frente das Igrejas particulares. A Conferência não tem poder propriamente sobre cada um dos bispos na sua diocese, mas tem conseguido uma autoridade moral de tal monta que – positivamente – tem dado um rumo claro à ação da Igreja. Esta autoridade ela a tem por sua atuação corajosa, coerente, comunitária, dialogal. E esta é uma Igreja que se pretende. E não igrejas isoladas em suas dioceses, como que em pequenos mundos. Por isto, por exemplo, foi um escândalo quando pastores algumas vezes não seguiram o planejamento da Conferência Episcopal na Campanha da Fraternidade. Atitudes como estas – felizmente isoladas – apontavam para uma outra compreensão de modelo de Igreja: uma igreja centrada na autoridade do pastor e não na comunhão, na colegialidade eclesial. A nova redação do Estatuto Canônico da Conferência confirma – felizmente – este importante modelo de Igreja.

“Ecclesia sempre reformada” é uma expressão tradicional para dizer que a Igreja é peregrina na história. Este fato nos fica claro quando observamos a história da Igreja. Neste número da revista publicamos um documento que mostra claramente este aspecto peregrinante da Igreja: “Diretrizes para o Diaconado Permanente – Formação, Vida e Mistério do Diácono Permanente da Igreja no Brasil”. O diaconado era um ministério presente de maneira clara e forte nos primórdios do cristianismo. O Novo Testamento traz muitas referências claras a este ministério. Com o processo de clericalização eclesial em torno do epíscopo e presbítero, este ministério foi sendo esquecido, já lá pelo século IV. O Concílio Vaticano II reintroduziu na Igreja o ministério do diaconado permanente como um grau próprio e permanente da hierarquia. Com isso abriu-se o caminho para que as Igrejas particulares pudessem optar por instruir este ministério em suas dioceses. Em muitos lugares do mundo os pastores viram aí uma importante possibilidade de renovar os ministérios. Foi uma verdadeira novidade pastoral-eclesial a introdução do diaconado permanente. No Brasil isto aconteceu em 1970. Em muitas dioceses organizou-se a partir daí um programa de formação específico e muitos foram ordenados. Passados mais de 30 anos, percebe-se que é uma experiência que poderia ter sido ampliada no Brasil, pois muitas dioceses não tiveram a coragem de dar este passo. Esta possibilidade continua, porém, aberta a toda a Igreja e com certeza a introdução do diaconado permanente pode abrir novos caminhos de ação pastoral. A experiência do diaconado permanente poderá inclusive contribuir para uma reformulação no modo de compreensão dos ministérios ordenados. Talvez justamente por isso muitas dioceses não tiveram a coragem de introduzir este ministério.

Autor: Volney Berkenbrock, OFM – Redator

Fonte: http://www.franciscanos.org.br/itf/revistas/sedoc/294_1.php










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